Vivemos de antíteses. Os sonhos nos levam para caminhos não navegados, por flores brancas, ou espinhos ao sopé de serras peladas, quando não, ao contrário.
Os sonhos maus são espinhos que nos levam aos buracos estranhos das nossas próprias entranhas. É aí que afundamos no universo do nosso pouco compreender. É incrível o que escondemos por detrás do nosso Eu.
O meu navegador explora irrealidades quais jamais irei entender. Quando ele quer esmagar, leva-me para a mesa do computador, donde fico até os olhos arderem.
Muitas vezes tenho sonhos bons. Misturo realidade com fantasias. Sonho com viagens pelo Mar Morto, onde passo por tesouros, na forma de pergaminhos, deixados por fundamentalistas, em vasos bíblicos. Vejo sujeitos barbudos quais preferiram se esconder nas cavernas para não ter que ceder aos conquistadores romanos.
Povos que transformaram a Judeia em Babilônia Herodiana.
Nos domingos à noite tenho pesadelos homéricos, acordo diversas vezes com a boca seca, pois sonho com sítios assombrados, açoitados por salteadores que vêm nos imolar. Há ainda uma ávida consumidora, morena, muito alta e gorda, quem não aparece, porém anda a espreitar. Muitas vezes proponho-me a ir lá no local assombrado para, talvez, esconder um par de sapatos velhos para
espantar os espíritos espreitadores. Aqueles que ficam nos cantos escondidos, como os demônios faziam lá na Tasmânia.
Os sonhos bons movimentam o passado distante e lúdico, serpenteiam espalhando gotas brilhantes por pradarias, cerrados e até por montanhas de picos nevados. Vejo-me, outras vezes, entre beduínos e seus camelôs, sequiosos por lucros quaisquer. Os pesadelos e sonhos são dinâmicos, pois rapidamente mudam de lugar, como se fossem o calor das dunas do deserto. O mais incrível que quando eles vêm, vêm por imposição até a nossa exaustão.
Incógnitas das entranhas sempre hão de existir. Elas dependem de religação, do recomeçar depois de uma noite de suor. O amanhecer é vida nova, é o lado claro da lua, é o gotejar do orvalho sobre as folhas do jardim. Pássaros... Leituras quais nunca soubemos aprender, apesar das típicas balelas de
ilustres plantonistas das almas atormentadas. A origem dos pesadelos está no querermos ser o que não somos, queremos ir para o Céu, mesmo sabendo que aqui também é paraíso. Agarramo-nos em paraísos e deuses distantes.
Antíteses, sonhos, pesadelos, caminhos não navegados, não compreender, viagens pelo Mar Morto, boca seca, enfim incógnitas.
Gostaria que os espíritos dos homens fossem se refinando com o passar do tempo para compreender-se e ajustar-se a esse mundo de incógnitas. Incrível é que todos nós gostamos da felicidade, todavia passamos a maior parte das nossas vidas nos digladiando com torres de papel: horário, trabalho, sonhos de enriquecer, de ser o maioral, etc. É quando o pesadelo vem assolar nossas almas cansadas.
Existem coisas tão grandes, tão grandes que nem sequer sabemos avaliar. Os gregos cultuaram deuses festivos, seria uma solução?
Outro dia um amigo me mandou um vídeo gravado por pessoas que fugiam do último tsunami no Japão. Não consegui dormir nessa noite com medo de ser perseguido por um sonho ruim daquele tamanho. Pessoas nuas de si fogem para o primeiro morro que vislumbram, vejo carros correndo em direção ao olho do furacão, qual vem arrastando casas, detritos, barcos.
São aquelas almas exógenas, naquele instante? Nesse momento não existe o material, exceto pelos
seus corpos e parcos documentos quais conseguem arrastar.
Não sei explicar o porquê gosto das palavras endógena e exógena. A primeira, em minha tradução, é o olhar para dentro, a segunda é quando olhamos para o lado de fora do nosso corpo. Então nesse momento as pessoas fogem, esquecem o seu Eu material, solidarizam-se, fogem para um porto seguro.
Será que vale a pena nos preocuparmos com as nossas misérias uma vez que existem coisas bem maiores que a nossa compreensão?
Conto isso, pois conta à história que Buda depois de anos a vaguear pelas estradas da Índia concluiu que não vale a pena viver se preocupando com as misérias do nosso cotidiano. Disse que a moderação é o caminho para a nossa iluminação...
E o que é moderação? Se a moderação fosse uma coisa impassível e imutável, como uma barra de irídio, a vida teria outro destino. Acontece que a moderação depende da nossa autocomplacência. A indulgência humana é tanta que ele só faz aquilo que lhe apraz, qual tem caminho mais curto. Demóstenes.
Então irmãos. Também adoro os meus pesadelos. Adoro por que com eles posso enxergar a profundidade que viaja o meu navegador. O meu “Explorer”, não sei qual a versão, ou aversão, viaja pelas minhas entranhas e suga as minhas mais profundas estórias, por mais malucas que elas venham para perturbar.
Só para ilustrar. Outro dia acordei suado, pois o meu navegador me levou para um local altíssimo. Lá estava eu encima de uma plataforma metálica cujo piso era fabricado em chapa expandida (aquele piso que você enxerga o que está nos pisos de baixo – vazado). Estava eu lá em cima verdadeiramente horrorizado com aquela altura, pois tinha medo de cair lá do alto. Bobagens da madrugada.
Esquecemos-nos de dizer para o nosso corpo que ele não se machuca se cair daquela altura do sonho, o máximo que pode acontecer é acordar assustado.
Exceto o Kung Fu, um amigo antigo, quem acordava chutando os armários do seu
quarto, quando não, se via dando sopapos na cara metade.
É quando meu pensamento volta para Buda e penso em meditar. Todavia o meu lado prático diz que a mulher que vai todos os dias para sua meditação lá na praça de ginástica, na Baixada, é meio doida. Ela fica levantando pesos inexistentes, ergue as mão para o céu, sob os olhos estupefatos dos narcisos presentes, quais fingem nada enxergar. E aí?
Esqueça! Apenas VIVA e SEJA FELIZ!!
O meu navegador explora irrealidades quais jamais irei entender. Quando ele quer esmagar, leva-me para a mesa do computador, donde fico até os olhos arderem.
Muitas vezes tenho sonhos bons. Misturo realidade com fantasias. Sonho com viagens pelo Mar Morto, onde passo por tesouros, na forma de pergaminhos, deixados por fundamentalistas, em vasos bíblicos. Vejo sujeitos barbudos quais preferiram se esconder nas cavernas para não ter que ceder aos conquistadores romanos.
Povos que transformaram a Judeia em Babilônia Herodiana.
Nos domingos à noite tenho pesadelos homéricos, acordo diversas vezes com a boca seca, pois sonho com sítios assombrados, açoitados por salteadores que vêm nos imolar. Há ainda uma ávida consumidora, morena, muito alta e gorda, quem não aparece, porém anda a espreitar. Muitas vezes proponho-me a ir lá no local assombrado para, talvez, esconder um par de sapatos velhos para
espantar os espíritos espreitadores. Aqueles que ficam nos cantos escondidos, como os demônios faziam lá na Tasmânia.
Os sonhos bons movimentam o passado distante e lúdico, serpenteiam espalhando gotas brilhantes por pradarias, cerrados e até por montanhas de picos nevados. Vejo-me, outras vezes, entre beduínos e seus camelôs, sequiosos por lucros quaisquer. Os pesadelos e sonhos são dinâmicos, pois rapidamente mudam de lugar, como se fossem o calor das dunas do deserto. O mais incrível que quando eles vêm, vêm por imposição até a nossa exaustão.
Incógnitas das entranhas sempre hão de existir. Elas dependem de religação, do recomeçar depois de uma noite de suor. O amanhecer é vida nova, é o lado claro da lua, é o gotejar do orvalho sobre as folhas do jardim. Pássaros... Leituras quais nunca soubemos aprender, apesar das típicas balelas de
ilustres plantonistas das almas atormentadas. A origem dos pesadelos está no querermos ser o que não somos, queremos ir para o Céu, mesmo sabendo que aqui também é paraíso. Agarramo-nos em paraísos e deuses distantes.
Antíteses, sonhos, pesadelos, caminhos não navegados, não compreender, viagens pelo Mar Morto, boca seca, enfim incógnitas.
Gostaria que os espíritos dos homens fossem se refinando com o passar do tempo para compreender-se e ajustar-se a esse mundo de incógnitas. Incrível é que todos nós gostamos da felicidade, todavia passamos a maior parte das nossas vidas nos digladiando com torres de papel: horário, trabalho, sonhos de enriquecer, de ser o maioral, etc. É quando o pesadelo vem assolar nossas almas cansadas.
Existem coisas tão grandes, tão grandes que nem sequer sabemos avaliar. Os gregos cultuaram deuses festivos, seria uma solução?
Outro dia um amigo me mandou um vídeo gravado por pessoas que fugiam do último tsunami no Japão. Não consegui dormir nessa noite com medo de ser perseguido por um sonho ruim daquele tamanho. Pessoas nuas de si fogem para o primeiro morro que vislumbram, vejo carros correndo em direção ao olho do furacão, qual vem arrastando casas, detritos, barcos.
São aquelas almas exógenas, naquele instante? Nesse momento não existe o material, exceto pelos
seus corpos e parcos documentos quais conseguem arrastar.
Não sei explicar o porquê gosto das palavras endógena e exógena. A primeira, em minha tradução, é o olhar para dentro, a segunda é quando olhamos para o lado de fora do nosso corpo. Então nesse momento as pessoas fogem, esquecem o seu Eu material, solidarizam-se, fogem para um porto seguro.
Será que vale a pena nos preocuparmos com as nossas misérias uma vez que existem coisas bem maiores que a nossa compreensão?
Conto isso, pois conta à história que Buda depois de anos a vaguear pelas estradas da Índia concluiu que não vale a pena viver se preocupando com as misérias do nosso cotidiano. Disse que a moderação é o caminho para a nossa iluminação...
E o que é moderação? Se a moderação fosse uma coisa impassível e imutável, como uma barra de irídio, a vida teria outro destino. Acontece que a moderação depende da nossa autocomplacência. A indulgência humana é tanta que ele só faz aquilo que lhe apraz, qual tem caminho mais curto. Demóstenes.
Então irmãos. Também adoro os meus pesadelos. Adoro por que com eles posso enxergar a profundidade que viaja o meu navegador. O meu “Explorer”, não sei qual a versão, ou aversão, viaja pelas minhas entranhas e suga as minhas mais profundas estórias, por mais malucas que elas venham para perturbar.
Só para ilustrar. Outro dia acordei suado, pois o meu navegador me levou para um local altíssimo. Lá estava eu encima de uma plataforma metálica cujo piso era fabricado em chapa expandida (aquele piso que você enxerga o que está nos pisos de baixo – vazado). Estava eu lá em cima verdadeiramente horrorizado com aquela altura, pois tinha medo de cair lá do alto. Bobagens da madrugada.
Esquecemos-nos de dizer para o nosso corpo que ele não se machuca se cair daquela altura do sonho, o máximo que pode acontecer é acordar assustado.
Exceto o Kung Fu, um amigo antigo, quem acordava chutando os armários do seu
quarto, quando não, se via dando sopapos na cara metade.
É quando meu pensamento volta para Buda e penso em meditar. Todavia o meu lado prático diz que a mulher que vai todos os dias para sua meditação lá na praça de ginástica, na Baixada, é meio doida. Ela fica levantando pesos inexistentes, ergue as mão para o céu, sob os olhos estupefatos dos narcisos presentes, quais fingem nada enxergar. E aí?
Esqueça! Apenas VIVA e SEJA FELIZ!!
Por F.Baptista em 29 de Março de 2012
